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Encerrou.

Deitei na minha cama, coloquei minha cabeça sob o travesseiro e pela primeira vez em muito tempo, meu primeiro pensamento não foi você. Pode ter sido o terceiro, ou o quarto, mas não foi o primeiro. Pela primeira vez em muito tempo, meu coração não ficou inquieto, não ficou agitado. Não teve alvoroço, ficou em paz. Sinceramente não sei dizer quantos dias ou meses já se passaram, só sei que chegou um momento em que percebi, que ficar contando e relembrando não era saudável para mim. Ficar relembrando me incomodava, me machucava. Mas não pense que foi fácil, não foi nem um pouco. Foi duro, foi difícil, parecia até impossível. Achei que a dor não fosse embora, achei que ela ficaria ali, remoendo o meu peito e me impedindo de esquecer. Por um bom tempo quase desisti, cheguei a pensar que não era forte o suficiente e que não iria suportar. Mas suportei, e suportei demais. Engoli muito choro, suportei muita dor e respirei fundo. até conseguir disfarçar e controlar o quanto tudo me afetava. Fui disfarçando, evitando, fugindo e fingindo que tudo havia passado, até agora, que me toquei que realmente passou. Já não me afeta mais, não como antes. Já não é mais a prioridade dos meus pensamentos e nem do meu coração. Aquela angústia, aquele aperto no peito, se dissolveram. Ainda restam sentimentos, na verdade já não sei nem dizer se são sentimentos ou sensações, lembranças que ainda restaram. Aquela sensação dos bons momentos que passaram e principalmente aquela sensação de dever cumprido. Tentei, fiz o meu máximo. Passei até dos meus limites, mas a vida me deu uns tapinhas na cara e me fez ver que não era para ser, não tinha como dar certo. Aquela sensação de passou o que tinha que passar, foi só mais um capítulo da minha vida, um capítulo que já se encerrou. (Escrito por Bárbara Flores)

Eu o amei.

Mas eu o amei. Amei muito. Para ser sincera o amei muito mais do que eu deveria ter amado. Acho que eu o amei de um modo que nenhuma outra pessoa não será capaz de amá-lo. Eu o amei mesmo com todos os seus defeitos, mesmo com todos os seus contras, mesmo com todos os pesares. Eu o amei mesmo quando ele não merecia e mesmo não merecendo, eu o amei, e amei com todas minhas forças. Por falar em força, fiz o meu máximo. Segurei tudo o que eu podia, aguentei tudo o que eu conseguia, tirei forças que nem eu mesma sabia que tinha para suportar e continuar tentando fazer dar certo, mas foi em vão. Fiz planos e sonhei com algo que não chegou nem perto de ser possível, e hoje eu percebi que todo o amor, todos os sonhos, todos os planos eram só meus, eu os sustentei sozinha, eu me doei sozinha. Mas do que adianta continuar insistindo, continuar amando quando somente uma pessoa está disposta a se doar e fazer com que tudo dê certo? Não dá, simplesmente não dá. Não existe como amar sozinho, sentir sozinho, lutar sozinho é sofrimento, é tortura para o coração. Ainda bem que eu consegui escapar a tempo. Não vou negar, eu chorei muito, coloquei para fora tudo aquilo que eu aguentei e suportei, todas as vezes que tentei e as tentativas foram em vão. Sofri muito e por um tempo cheguei a pensar que seria impossível deixar esse amor para trás, mas o tempo passou finalmente percebi que foi demais, que me esgotou. O tempo me abriu os olhos e me mostrou que só é amor de verdade quando as duas partes se entendem, se sintonizam, se amam. O tempo me mostrou também que nada é eterno, que toda dor é passageira e que a cada novo dia é uma nova chance de recomeçar, uma nova chance de seguir em frente. Eu o amei, teria sido um sentimento muito bonito se tivesse me amado da mesma forma de volta, mas não amou. Em outros tempos estaria chorando, mas nesse momento sinto-me livre e confiante para dizer: passou, e por mais que tenha sido eu quem tanto sofreu, quem saiu perdendo não fui eu. (Escrito por Bárbara Flores)